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Data do Post
03/06/2018
/Papo médico

Quimioterapia desnecessária para grupo específico de pacientes.

Quimioterapia após cirurgia desnecessária para grupo de pacientes avaliado com teste genético

O resultado de um estudo fase III, TailorX, apresentado na plenária do dia 03.06 no congresso da ASCO, que analisou mais de 10 mil mulheres com câncer de mamareceptor hormonal positivo em estágio inicial e sem infiltração no linfonodo da axila.

Um teste genético que testa 21 genes relacionados ao câncer de mama e prediz o risco de recidiva da doença, chamado Oncotype DX® Breast Recurrence Score, foi utilizado nas pacientes e aproximadamente 6.700 mulheres mostraram um risco baixo, com um score no teste de 11 a 25.

As mulheres de baixo risco foram randomicamente separadas em dois grupos, um que recebeu a hormonioterapia isolada e outro tratado com a hormonioterapia e a quimioterapia padrão. Os pesquisadores queriam investigar qual seria o melhor tratamento para cada faixa de risco apontada pelo teste.

Depois de acompanharem essas pacientes por 7,5 anos, os pesquisadores observaram que as mulheres sem a quimioterapia não tiveram um resultado pior que as demais. A recidiva nos dois grupos foi muito semelhante (94,5% vs. 95%), bem como a sobrevida global (93.9% vs. 93.8%) e a sobrevida livre de progressão (83.3% vs. 84.3%).

“Metade de todos os cânceres de mama são desse tipo, hormônio positivos e HER2 e linfonodo axilal negativo. Nosso estudo mostra que 70% dessas mulheres podem evitar a quimioterapia quando usamos o teste genético, limitando o tratamento mais agressivo para apenas 30% que realmente se beneficiam desse esquema”, comentou em coletiva de imprensa ao líder do estudo, Joseph Sparano do Albert Einstein Cancer Center (EUA).

Até a divulgação desses dados, o tratamento padrão era a quimioterapia associada com a hormonioterapia após a cirurgia. A quimioterapia, no entanto, além de não ter efeito para todas as pacientes, gera muitos efeitos colaterais que diminuem a qualidade de vida das mulheres. Entre os mais comuns estão a nausea, vômitos, fadiga, perda de cabelo, infecções, infertilidade e neuropatia.

O Dr. Gilberto Amorim, Oncologista da Rede D’or e conselheiro científico da Laço Rosa comentou o estudo apresentado: 

“O TaylorX é daqueles estudos que mudam a prática imediatamente nos EUA e Europa. O Oncotype DX, teste genômico muito usado no pós operatório do câncer de mama inicial receptor poisitov com axilia negativa informa qual o “ score de recorrência” e a chance de uma recidiva da doença notadamente nos primeiros 5 anos e se há ou não benefício em realizar quimioterapia adjuvante. 

Até hoje os resultados possíveis eram baixo-alto risco- intermediário. Já sabíamos que no “baixo risco”a quimioterapia não é necessária. Mas no mundo real 40% caiam no grupo intermediário e desta forma a decisão é muitas vezes frustrante.

Com o resultado de mais de 6.000 mulheres avaliados no TaylorX entre realizar só um tratamento anti-hormonal eou começar pela quimio e completar com os comprimidos, ficou muito claro que nessas pacientes ”intermediárias” a quimioterapia não é necessária, passando o Oncotype DX a ser um exame binária, baixo ou alto risco. A informação cient’ficia é robusta e definitiva. O Oncotype DX se junta ao MamaPrint na consistência de dados para avaliar se há maior ou menor risco de recorrência. Uma pena que para a realidade brasileira é um exame de exceção em função do custo. Há como enviar para os EUA para realizar o teste mas o custo é alto, cerca de R$ 13.500,00. Infelizmente é um exame para classe alta brasileira e tem cobertura na Europa, Israel, Eua e Japão. Há tratativas/ iniciativas preliminares de operadores brasileiras em bancar o custo do exame, pois pode ser custo efetiva na nossa realidade. Em uma conta simples, se de cada 10 pacientes 7 fazem quimioterapia e se agora após o estudo, de cada 10 apenas 3 farão a quimio, se somarmos o custo de 3 quimios + 10 testes o valor pode ser menor do que o custo de 10 sem o teste genético. 

De cada 10 pacientes avaliadas 70% cairão no novo “baixo risco”portanto conseguiremos poupar 7 de cada 10 pacientes do impacto físico, psicológico e social  da quimioterapia com potencial de redução de custo para saúde pública. 

Veja o estudo publicado pela ASCO aqui:  https://bit.ly/2kL6unn

Acesse a matéria da Revista Onco & News aqui: https://bit.ly/2JdM3tR

Fonte: Revista Onco&News / ASCO