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Data do Post
05/06/2018
/Papo médico

6 meses X 12 meses de Trastuzumabe

Uma pesquisa liderada pela Universidade de Cambridge e Warwick Clinical Trials, estudou pacientes em estágio inicial de câncer de mama HER2 Positivo, quando há a proteína HER2, que influencia na multiplicação e divisão de células cancerígenas.

Foram testadas cerca de 4 mil mulheres nesse perfil para verificar se o tratamento com Trastuzumabe por seis meses seria tão eficaz quando o tratamento de 12 meses de duração.

Resultados

De acordo com os dados levantados, 89,4% das pacientes que realizaram o tratamento por 6 meses estavam livres da doença após 4 anos, comparado com 89,9% das pacientes que fizeram o tratamento por 12 meses. Isso demonstra que o tratamento em menor tempo é tão eficaz quanto o tratamento mais longo.

Além disso, apenas 4% das mulheres (nos 6 meses) pararam de receber tratamento antecipadamente devido a problemas no coração, comparado com 8% no tratamento de 12 meses.

As pacientes também passaram por quimioterapia durante o período de testes.

Conclusões

A partir de anos de estudo, foi possível observar que mesmo com um tratamento com menor período de tempo, a eficácia permaneceu estável. Também verificou-se a diminuição de efeitos colaterais nas pacientes.

Além desses benefícios, a utilização da droga por 6 meses significa uma economia de recursos muito grande em comparação com o tratamento tradicional.

Segundo o Professor Charles Swanton, chefe clínico da UK Cancer Reasearch, esse estudo é de extrema importância para o campo de pesquisa do câncer de mama. No entanto, apesar de anos de pesquisa, não foi possível definir uma duração exata do tratamento com Herceptin; como impedir que o câncer retorne ou como curar pacientes com câncer de mama HER2 Positivo, em estágio inicial, após cirurgia. Por isso, é necessário que pesquisas continuem a ser realizadas.

Estudo X Realidade

Dr. Gilberto Amorim, Oncologista da Rede D’or e conselheiro científico da Laço Rosa ressaltou a importância dessa pesquisa, já que outros estudos realizados não conseguiram provar que um tratamento menor teria a mesma eficácia do método padrão.

No entanto, quando olhamos para a prática/realidade, principalmente do Brasil, existem algumas ressalvas. No Brasil, é frequente a existência de tumores mais avançados, maiores e, no estudo, pacientes com esse perfil consistiam em apenas 5%.

Além disso, há outras características e aspectos que influenciam na escolha do tratamento, de 6 meses ou 12 meses. Por fim, foram realizadas sessões de quimioterapia com conjunto com o Trastuzumabe e isso não acontece na maioria dos centros, de acordo com o Dr. Gilberto.

Para assistir o vídeo completo do Dr. Gilberto Amorim, clique aqui.

 

Fonte: National Institute for Health Research