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Autor(a):

Marcelle Medeiros

Empresária. Fundadora e Presidente Voluntária da Fundação Laço Rosa. Pós graduada em gestão de projetos sociais e marketing. Conselheira estadual de saúde e integrante do Conselho de Direitos da Mulher da cidade do Rio de Janeiro; Labber 2015; Fellow PFP women empowrment; Vencedora da maratona de negócios sociais do Sebrae. Palestrante em eventos nacionais e internacionais.

/Alguém que amo tem câncer

Intercorrências

 

Querido (a) Leitor (a)

Para quem acompanha um paciente em tratamento de câncer a vida vai no ritmo montanha russa de ser. Uma hora tudo às mil maravilhas e chegamos até mesmo a acreditar que a doença deu uma trégua, foi embora ou esqueceu o doente, mas basta uma piscadela de olhos fora de hora para o jogo virar e da noite para o dia tudo ficar diferente. E quando isso acontece, a gente se desespera e sofre por antecipação a possibilidade de ter a vida de quem amamos abreviada.

Não é fácil lidar com os obstáculos que o câncer impõe mas é necessário criar mecanismos para mantermos a nossa sanidade e principalmente a nossa fé quando uma intercorrência acontece porque ela pode ser passageira e durar poucos segundos ou uma eternidade de dias sem fim. 

Alguns pacientes são mais rebeldes do que os outros e relutam muito antes de pedir ajuda. A boa notícia é que um estudo apresentado na ASCO ( o maior congresso de oncologia do mundo) comparou dois grupos de pacientes, um que usava um aplicativo para falar com o corpo médico e reportar sintomas e intercorrências logo no início e outro que aguardava a consulta de retorno para reportar algo fora do normal. O resultado foi uma sobrevida com qualidade gigante, muito maior no grupo de pacientes que usou o aplicativo para reportar sintomas em fases iniciais do que o grupo que aguardou o retorno de consulta. Por que isso aconteceu? Porque sintomas fora do normal identificados em fases iniciais podem ser sanados e impedem a evolução para algo mais grave. 

Ao longo das inúmeras idas e vindas de hospitais acompanhando pessoas queridas, desenvolvi uma metodologia anti pânico que compartilho com você: 

1) Foco na solução (tira da cabeça todo e qualquer pensamento que possa atrapalhar a solução do problema, e isso inclui ficar sofrendo por antecipação achando que chegou o fim. Enquanto tem ar respirando, tem vida e se te vida tem possibilidade de tratamento, esse é o mantra!). 

2) Avise ao médico responsável (mesmo se o paciente não quiser, avise!)

3) Leve o paciente para o hospital que costuma ser atendido (isso facilita muito a identificação do problema porque a ficha do paciente fica registrada no hospital e quando ele retorna é possível acessar todo histórico dele no local, sem falar nos médicos e enfermeiras que acabam lembrando do paciente). 

4) Mantenha a calma e deixe para surtar depois! 

Eu sei que não é nada fácil manter a calma e olhar de forma pragmática, mas acredite, não há outra opção de ajudar numa hora dessas a não ser manter a calma, focar na solução e pedir a Deus um pouco mais tempo ao lado de quem você tanto ama.

Então quando uma intercorrência acontecer, pense na montanha russa do parque que a primeira vista dá medo, depois exige coragem e passado o susto horrível da descida, tudo é risada. 

Vamos que vamos...

Marcelle Medeiros