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Autor(a):

Patrícia Gil

/Inspiração

Pequenas coisas

Como vocês sabem, trabalho como voluntária em um Centro de tratamento para pacientes oncológicos. Se você me contasse isso há 10 anos eu diria que isso seria impossível, ou no mínimo você estaria louco. Afinal, por que eu faria isso? Só que de lá pra cá tanta coisa mudou, inclusive eu. Todos os dias, convivo com a vida e a morte. Pessoas entram e saem da minha vida, cada uma com uma história, com um drama, com uma vida. Pessoas de longe e de perto, que buscam incessantemente por mais uma chance.

Tanto eu e certamente essas pessoas, quando estava tudo bem e não existia nada que realmente as preocupasse tão seriamente, qualquer coisinha incomodava. O cabelo que não era liso, o dia que estava chuvoso e nublado, a conta que estava por vencer, o trânsito que não fluía, as crianças que não ficavam em silêncio, o telefone tocando, a campainha, o chefe, ai que saco!

Por que somos assim? Fico pensando que Deus deve se perguntar: “Como pude criar seres tão descontentes e chatos?”. Mas infelizmente somos assim mesmo. Chatos e descontentes!Se, conquistamos alguma coisa, logo queremos outra maior, melhor e depois novamente... Deveríamos ser felizes por poder simplesmente abrir os olhos todas as manhãs, respirar e ter a oportunidade de amar nosso próximo. Mas, só percebemos essas dádivas, quando passamos por algo muito grave, que nos faz levar uma sacodida da vida. Quando me vi de frente com um diagnóstico de câncer, pensei em tudo, tudo que havia feito e vivido até ali. E desde então jurei que se eu vencesse esta luta, eu seria e faria tudo diferente. E como a maioria da humanidade, foi necessário passar pelo vale da morte para enxergar as maravilhas e belezas que a vida nos proporciona. O voo da borboleta e suas cores, as flores e os formatos das nuvens, o sorriso das crianças e dos idosos. Não tenho mais pressa, não questiono tanto, aprendi que viver um dia de cada vez, é como saborear um sorvete de chocolate e descobrir que no final da casquinha tinha mais sorvete! Sinto-me mais livre, arrumei até um gatinho, meu marido não gosta, mas sempre gostei, e hoje valorizo muito minhas escolhas. O que eu quero dizer, é que não precisamos esperar que algo de muito grave aconteça em nossa vida para que possamos valorizar as pequenas mas importantes alegrias. Devemos exercitar as coisas boas e Isso inclui: Dar abraços, beijos, declarações de “eu te amo”, largar tudo pra lá e assistir um filme com os filhos e muita pipoca, comer aquele bolo de chocolate, tomar um banho de chuva, molhar os pés no mar. Não perca, não espere, não demore!

Com amor, Paty.